3 de abril de 2025
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O vendedor de banana frita

Seu Antenor, um vendedor de banana frita, estava bastante cansado naquela manhã de domingo, cansado e sentindo-se derrotado. Sempre se esforçou para dar o mínimo de dignidade a sua família.

Contudo a vida não lhe fora gentil, e mesmo em idade avançada precisava trabalhar de domingo a domingo para garantir o sustento da casa.

Veio ainda jovem tentar a vida na capital, ele era oriundo de uma das muitas comunidades do município de Fonte Boa, no alto Solimões.

Com muita nostalgia lembrava dos igapós e da pesca do Pirarucu. Na floresta sentia-se vivo e senhor do seu caminho, na cidade sentia-se tolhido e infeliz.

Pegou o transporte e seguiu para vender as suas bananas.

Recordações

No caminho ia pensando na vida, pois era uma viagem longa e cansativa.

Lembrou de quando conheceu sua esposa, uma morena cor de jambo, bonita e muito jeitosa.

Recordou do casório, do nascimento dos filhos e das dificuldades que a vida lhe impunha.

Por alguns instantes não conseguia pensar em mais nada.

O vendedor de banana frita simplesmente olhava pela janela e sentia um grande vazio.

De repente começa uma discussão qualquer entre o cobrador e um passageiro. O bate-boca rompe o transe de seu Antenor que passa a acompanhar a confusão.

Após uma troca de insultos a discussão cessa. Seu Antenor ainda comenta com o passageiro ao seu lado sobre a briga, mas este não lhe dá atenção.

Uma vez mais seu Antenor fica triste.

Então, Pega o celular e começa a ver as fotos dos netos, um momento de alento para alguém tão calejado pela vida. Sorri ao ver o mais novo, o Zezim. Pelo menos os miúdos ainda lhe davam alguma alegria.

Com a viagem longa e a alma desanimada seu Antenor acaba cochilando. Acordando bem próximo ao seu ponto. Arruma a sacola com as bananas, endireita o boné e levanta para descer do ônibus.

Mais um dia dos muitos que o seu Antenor vive para trabalhar e superar as dificuldades.

Mas ao descer lembra de sua morena, e de seus netos. Então, o vendedor de banana frita abre um sorriso, encara a vida que lhe coube e começa a lida.

olha a banana, um real, somente um real, olha a banana quem vai querer?

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