Seu Antenor, um vendedor de banana frita, estava bastante cansado naquela manhã de domingo, cansado e sentindo-se derrotado. Sempre se esforçou para dar o mínimo de dignidade a sua família.
Contudo a vida não lhe fora gentil, e mesmo em idade avançada precisava trabalhar de domingo a domingo para garantir o sustento da casa.
Veio ainda jovem tentar a vida na capital, ele era oriundo de uma das muitas comunidades do município de Fonte Boa, no alto Solimões.
Com muita nostalgia lembrava dos igapós e da pesca do Pirarucu. Na floresta sentia-se vivo e senhor do seu caminho, na cidade sentia-se tolhido e infeliz.
Pegou o transporte e seguiu para vender as suas bananas.
Recordações
No caminho ia pensando na vida, pois era uma viagem longa e cansativa.
Lembrou de quando conheceu sua esposa, uma morena cor de jambo, bonita e muito jeitosa.
Recordou do casório, do nascimento dos filhos e das dificuldades que a vida lhe impunha.
Por alguns instantes não conseguia pensar em mais nada.
O vendedor de banana frita simplesmente olhava pela janela e sentia um grande vazio.
De repente começa uma discussão qualquer entre o cobrador e um passageiro. O bate-boca rompe o transe de seu Antenor que passa a acompanhar a confusão.
Após uma troca de insultos a discussão cessa. Seu Antenor ainda comenta com o passageiro ao seu lado sobre a briga, mas este não lhe dá atenção.
Uma vez mais seu Antenor fica triste.
Então, Pega o celular e começa a ver as fotos dos netos, um momento de alento para alguém tão calejado pela vida. Sorri ao ver o mais novo, o Zezim. Pelo menos os miúdos ainda lhe davam alguma alegria.
Com a viagem longa e a alma desanimada seu Antenor acaba cochilando. Acordando bem próximo ao seu ponto. Arruma a sacola com as bananas, endireita o boné e levanta para descer do ônibus.
Mais um dia dos muitos que o seu Antenor vive para trabalhar e superar as dificuldades.
Mas ao descer lembra de sua morena, e de seus netos. Então, o vendedor de banana frita abre um sorriso, encara a vida que lhe coube e começa a lida.
olha a banana, um real, somente um real, olha a banana quem vai querer?